terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Lei de Acesso à Informação: Um exemplo a ser seguido pelas igrejas
Lei de Acesso à Informação: Um exemplo a ser seguido pelas igrejas
Por Cristiano Santana
O que era improvável na administração pública concretizou-se. A Lei de Acesso à Informação (12527/2011) entrou em vigor há alguns dias.
Ela obriga órgãos públicos federais, estaduais e municipais (ministérios, estatais, governos estaduais, prefeituras, empresas públicas, autarquias etc.) a oferecer informações relacionadas às suas atividades a qualquer pessoa que solicitar os dados.
Além dos gastos financeiros e de contratos, a lei garante que o cidadão acompanhe os dados gerais de programas, ações, projetos e obras.
Um pouco de reflexão é suficiente para concluirmos que as igrejas, apesar de serem pessoas jurídicas de direito privado, aproximam-se bastante do perfil de entidade pública. Elas não têm fins lucrativos, dependem de recursos financeiros provenientes dos cidadãos que as frequentam, existem para servir à comunidades, etc.
Levando-se em consideração essa proximidade entre igrejas e entidades públicas, a conclusão lógica - e moral - é que as igrejas deveriam seguir essa tendência de transparência, disponibilizando aos seus membros dados administrativos e financeiros, seja pela internet ou através de relatórios periódicos.
Infelizmente a realidade mostra que as igrejas não seguirão tão cedo o exemplo da Lei da Acesso à Informação. Seus dados financeiros, por exemplo, continuarão a ser acessados apenas por pessoas superprivilegiadas, os chamados "membros da diretoria". O argumento que visa dissuadir aqueles crentes que querem saber um pouco mais sobre as finanças da igreja continuará sendo esse: "A sua obrigação é apenas dar o dízimo. O que o pastor fará com o dinheiro é entre ele e Deus".
Espera-se, entretanto, que os cristãos atinjam esclarecimento suficiente para que entendam que acompanhar a administração da igreja não é uma opção, mas uma obrigação de cada membro, afinal de contas, cada um é co-administrador de recursos que não pertencem ao pastor, mas à comunidade.
LinkWithin Análise do documentário "Provando a Existência de Deus" do History Channel Por Cristiano Santana Hoje assisti à estreia do documentário "Provando a existência de Deus" do History Channel. Naturalmente não esperava que o programa fosse apresentar a prova cabal da existência de Deus, mas já imaginava que os apresentadores iriam evitar os argumentos que nos foram legados pelos apologistas clássicos em suas controvérsias com ateus ao longo da história (argumento cosmológico, ontológico, moral, etc.), os quais já estão meio "batidos", digamos assim. Infelizmente o documentário não trouxe novidades para mim, nesse campo da apologética. Não é que eu desvalorize as novas linhas de argumentação apresentadas no mesmo. São muito interessantes e promissoras. É que a gente acaba alimentando certa expectativa de conhecer algo novo. É preciso esclarecer que o programa não traz provas conclusivas da existência de Deus, mas sim argumentos baseados na física, astronomia, genética, arqueologia e história. Tentarei resumi-los a seguir: Arca da aliança - Esse artefato seria talvez a maior prova da existência de Deus. O programa traz informações sobre pesquisas arqueológicas em torno do seu paradeiro. A Arca estaria guardada numa capela da Igreja de Santa Maria de Sião, da cidade de Aksum, no norte da Etiópia, onde um único sacerdote pode vê-la. Genes de Deus - Raízes biológicas explicariam de onde vem a inclinação humana para a religiosidade e como o cérebro experimenta a transcendência. Alguns geneticistas acreditam ter descoberto um conjunto de genes que tornaria o ser humano predisposto a ter experiências sensoriais, como acreditar em Deus e professar uma religião. O código genético do indivíduo é o que determina o tamanho da sua fé. Partícula de Deus - A confirmação da existência de uma partícula denominada de Bóson de Higgs, supostamente responsável por algumas propriedades da matéria, principalmente a massa, acabaria corroborando a chamada Teoria de Tudo, que tenta unificar as principais leis da física. Segundo alguns, isso confirmaria também a existência de Deus. Teoria do Universo bem afinado - Aproveitarei a explicação da Wikipedia. Trata-se de um argumento baseado no conceito das "constantes universais bem afinadas", que tornam possíveis a existência da matéria e da vida, e portanto alegando que as constantes não devem ser solenemente atribuídas ao acaso (processos naturais). Essas incluem os valores das constantes físicas fundamentais, a força relativa das forças nucleares, o eletromagnetismo, a gravidade entre partículas fundamentais, também como as taxas das massas de tais partículas. Defensor do design inteligente e filiado do Centro para Ciência e Cultura, Guillermo Gonzales argumenta que se qualquer um desses valores fosse até minimamente diferente, o universo seria dramaticamente diferente, tornando impossível a formação de muitos elementos químicos e de estruturas características do Universo, como galáxias. Logo, defensores argumentam, um designer inteligente da vida foi necessário para garantir que as características específicas se dessem presentes, caso contrário a vida seria, em termos práticos, impossível de ter existido. Neurociência espiritual ou neuroteologia - Estuda os processos cognitivos que produzem experiências subjetivas tradicionalmente categorizadas com religiosas ou espirituais e tenta relacioná-las com padrões de atividade no cérebro. A confirmação da existência de "regiões espirituais" no mapeamento cerebral confirmaria que ele é um órgão fisiologicamente projetado para que o homem tenha comunhão com Deus. Gostei de assistir ao do Análise do documentário "Provando a Existência de Deus" do History Channel
Análise do documentário "Provando a Existência de Deus" do History Channel
Por Cristiano Santana
Hoje assisti à estreia do documentário "Provando a existência de Deus" do History Channel. Naturalmente não esperava que o programa fosse apresentar a prova cabal da existência de Deus, mas já imaginava que os apresentadores iriam evitar os argumentos que nos foram legados pelos apologistas clássicos em suas controvérsias com ateus ao longo da história (argumento cosmológico, ontológico, moral, etc.), os quais já estão meio "batidos", digamos assim.
Infelizmente o documentário não trouxe novidades para mim, nesse campo da apologética. Não é que eu desvalorize as novas linhas de argumentação apresentadas no mesmo. São muito interessantes e promissoras. É que a gente acaba alimentando certa expectativa de conhecer algo novo.
É preciso esclarecer que o programa não traz provas conclusivas da existência de Deus, mas sim argumentos baseados na física, astronomia, genética, arqueologia e história. Tentarei resumi-los a seguir:
Arca da aliança - Esse artefato seria talvez a maior prova da existência de Deus. O programa traz informações sobre pesquisas arqueológicas em torno do seu paradeiro. A Arca estaria guardada numa capela da Igreja de Santa Maria de Sião, da cidade de Aksum, no norte da Etiópia, onde um único sacerdote pode vê-la.
Genes de Deus - Raízes biológicas explicariam de onde vem a inclinação humana para a religiosidade e como o cérebro experimenta a transcendência. Alguns geneticistas acreditam ter descoberto um conjunto de genes que tornaria o ser humano predisposto a ter experiências sensoriais, como acreditar em Deus e professar uma religião. O código genético do indivíduo é o que determina o tamanho da sua fé.
Partícula de Deus - A confirmação da existência de uma partícula denominada de Bóson de Higgs, supostamente responsável por algumas propriedades da matéria, principalmente a massa, acabaria corroborando a chamada Teoria de Tudo, que tenta unificar as principais leis da física. Segundo alguns, isso confirmaria também a existência de Deus.
Teoria do Universo bem afinado - Aproveitarei a explicação da Wikipedia. Trata-se de um argumento baseado no conceito das "constantes universais bem afinadas", que tornam possíveis a existência da matéria e da vida, e portanto alegando que as constantes não devem ser solenemente atribuídas ao acaso (processos naturais). Essas incluem os valores das constantes físicas fundamentais, a força relativa das forças nucleares, o eletromagnetismo, a gravidade entre partículas fundamentais, também como as taxas das massas de tais partículas. Defensor do design inteligente e filiado do Centro para Ciência e Cultura, Guillermo Gonzales argumenta que se qualquer um desses valores fosse até minimamente diferente, o universo seria dramaticamente diferente, tornando impossível a formação de muitos elementos químicos e de estruturas características do Universo, como galáxias. Logo, defensores argumentam, um designer inteligente da vida foi necessário para garantir que as características específicas se dessem presentes, caso contrário a vida seria, em termos práticos, impossível de ter existido.
Neurociência espiritual ou neuroteologia - Estuda os processos cognitivos que produzem experiências subjetivas tradicionalmente categorizadas com religiosas ou espirituais e tenta relacioná-las com padrões de atividade no cérebro. A confirmação da existência de "regiões espirituais" no mapeamento cerebral confirmaria que ele é um órgão fisiologicamente projetado para que o homem tenha comunhão com Deus.
Gostei de assistir ao documentário e torço para que ele possa influenciar positivamente o tipo de espectador que é intelectualmente resistente à ideia da existência de Deus. Essa é a apologética moderna.
sábado, 7 de abril de 2012
O que poderia ainda nos salvar deste crescente paganismo cristão?
6 de março de 2012
Postado por Francisco Pacheco
Share
MISTICOS MATERIALISTAS E SADUCEUS PÓS-MODERNOS!
Lamento muito o fato que para a maioria dos cristãos a fé é apenas uma crença moral e comportamental, de um lado; e, de outro lado, apenas um poder mágico, mediante o qual se pode conseguir coisas, bens materiais e proteção contra a magia, ou ainda poder para subjugar inimigos.
Para a maior parte dos crentes a fé foi reduzida a tais coisas!
Todavia, a fé como relação com Deus, como meio de agradá-Lo, como sustento do espírito na existência, como fidelidade, como poder que atua pelo amor, como constrangimento de amor no coração que cresce em devoção, como conforto e proteção [sem magia], como confiança no cuidado do Pai, como poder que brota do intimo para ser no mundo, como expressão da consciência de Deus em nós; e como olhar existencial que nos conduz a perseverarmos e mesmo nos gloriarmos nas tribulações; e mais: que nos deixa antever a glória de Deus por vir a ser revelada plenamente em nossas vidas — sim, tal e tais perspectivas da fé estão praticamente mortas nos corações dos cristãos de hoje.
Com isto sucumbiu também a fé como poder/privilégio de perdoar, de não odiar, de não se vingar, de crer na justiça de Deus ao seu tempo..., etc.
Além disso, também com tal perversão da fé faleceu a esperança que se alimenta da eternidade, e que tem no por vir seu gozo fomentador de alegria hoje, posto que somente por tal percepção já se possa tratar a morte como morta na existência de todo aquele que crê.
Desapareceu também a fé como resposta-em-si-mesma aos absurdos calamitosos da existência, posto que agora, como a fé é poder mágico de proteção, é apólice de seguro, é garantia de que nada sentido como mal jamais nos abata, qualquer coisa que nos venha com tais desenhos catastróficos abala o que se chama de fé.
Esta é a morte da fé que se vê nos templos lotados de gente que paga pela crença pagã de que fé seja um poder sem mistério, sem silencio..., mas, ao contrário, sempre com respostas desejadas, sempre com explicações e com resultados aferíveis como bens de consumo e como garantias especiais contra os fatos absurdos da existência.
Neste aspecto, a Religião Islâmica não fanatizada oferece princípios mais cristãos aos seus crentes do que o atual Cristianismo misticamente materialista e historicamente saduceu que se instalou entre nós.
Isto porque um lado inteiro do Cristianismo está governado pelo misticismo materialista, que é aquele que crê em poderes espirituais, mas apenas para as guerras do aqui e do agora. De outro lado, entre as confissões históricas, o que prevalece é a fé como ética, culto, rito, comportamento, conduta, ao modo saduceu de ser... — porém, sem o casamento como os poderes do mundo vindouro, sem o gozo da eternidade, sem o poder do Espírito, sem o Cristo vivo, sem a consolação sublime, sem a experiência da real presença de Deus na vida.
Este é o espírito presente nas crenças práticas da maioria dos cristãos. E, por tais crenças, saiba-se: o Evangelho como poder de Deus ficará dia a dia mais morto nos corações humanos e nas casas de culto sem Deus.
Somente tal constatação, seguida de uma determinação radical de abandonarmos todos os nossos pressupostos, e que nos levasse de volta a leitura com fé simples nos evangelhos e no que Jesus e os apóstolos chamaram de fé, é o que poderia ainda nos salvar do paganismo cristão que levou a quase todos de roldão.
Para mim este é um dos sinais mais gritantes dos fins dos tempos, especialmente numa época em que nãos nos faltam Bíblias e nem acesso a informação da Palavra; posto que tal calamidade não decorra de ignorância apenas, mas, sobretudo, da escolha.
Digo a mesma coisa mais uma vez, sempre com a mesma oração de que alguém ainda entenda, veja, discirna, escute e se converta!
Nele, que vive em mim,
Caio
4 de março de 2012
Lago Norte
Brasília
DF
sexta-feira, 2 de março de 2012
Finanças da igreja: O problema da falta de prestação de contas
Finanças da igreja: O problema da falta de prestação de contas
Por Cristiano Santana
Por mais que nos esforcemos, há muitos fatos do mundo evangélico que realmente nunca vamos compreender. E se tentarmos elaborar alguma explicação, corremos o risco de ser acusados de caluniadores. Um desses fatos é a recusa persistente, de uma parte das lideranças eclesiásticas, da obrigação de prestar contas das finanças da igreja. A pergunta que não quer calar é esta: Por que os membros não merecem receber esse tipo de informação?
Em minha vivência cristã já ouvi inúmeras explicações para essa omissão. Infelizmente nenhuma delas conseguiu me convencer, e creio que não convencerá nenhuma pessoa sensata que prime pela transparência.
Há anos atrás era costume, pelo menos na Assembléia de Deus, reservar um dia para um espécie de culto administrativo, no qual era lido o relatório financeiro da igreja: quanto entrou, quanto saiu e o saldo do mês. Mas o tempo foi passando, a modernidade foi chegando, as igrejas se transformaram em corporações...Então as finanças da igreja passaram a ser classificadas como "top-secret", segredo de estado, guardadas a sete chaves, só conhecidas por um grupo seleto: o pastor-presidente e os assessores da tesouraria.
Mas vamos às duas principais explicações que são dadas atualmente. A primeira diz que o dízimo é do Senhor e que não cabe ao membro saber qual será a destinação da sua contribuição financeira. A segunda explicação: "é perigoso dar publicidade à movimentação financeira da igreja. A igreja poder ser assaltada, ou assediada por pessoas oportunistas que fingirão ser crentes para obter vantagens, como cestas básicas, por exemplo".
Quanto à primeira explicação, é preciso ressaltar que as igrejas são classificadas pelo Código Civil como organizações religiosas, resultado da associação de várias pessoas, denominadas membros, que são portadores de direitos e deveres, de acordo com o estatuto social registrado em cartório. Uma das prerrogativas dos membros é tomar parte nas decisões administrativas da igreja, participando ativamente das assembléias deliberativas. Por isso, prestar contas ao membros não é uma opção, mas uma obrigação do pastor, já que ele não é gestor de seu dinheiro, mas do dinheiro de todos, dinheiro da IGREJA.
Nem precisaríamos invocar a lei. Basta imaginar a seguinte situação: O crente chega à igreja contente para adorar ao Senhor. Percebe então que o banco em que está sentado está cheio de farpas. De repente cai um pingo de água em sua cabeça, proveniente de um vazamento no teto. Quando vai ao banheiro, não há papel higiênico nem papel toalha. Acham que ele deve ficar calado? Claro que não! Deve cobrar do pastor satisfações quanto à aplicação que está sendo dada ao dízimo "suado" que dá todo mês e recusar essa balela de que o pastor prestará contas a Deus se estiver utilizando indevidamente o dinheiro. NÃO! Se dissipar o dinheiro da igreja, o pastor será SIM responsabilizado perante os homens, civil e criminalmente. Que ele se entenda depois com Deus no juízo final.
Quanto à segunda explicação, que tenta evitar dar publicidade à situação financeira da igreja, os argumentos não resistem às mais simples refutações. O pastor não quer chamar a atenção dos assaltantes, mas não é isso que faz quando chega à igreja com um carro do ano, às vezes até importado? Quanto aos oportunistas, qualquer pastor experiente é capaz de discernir entre o sincero e o aproveitador.
Estamos diante então, de um fato inexplicável. Conhecemos o faturamento das maiores empresas do mundo: Microsoft, Petrobrás, Bradesco, etc. Também conhecemos os detalhes das licitações de milhares de empresas públicas, através de sites como o Portal Transparência. Também todo condomínio, neste enorme Brasil, distribui balancetes financeiros aos moradores. Mas NÃO podemos conhecer a vida financeira de algumas igrejas. Por quê? Eu gostaria tanto de uma resposta convincente!
Alguns líderes procuram tapar o sol com a peneira, dizendo: "Espera aí! Quem quiser pode ir à tesouraria para obter essas informações".
O problema é que, quando o membro tenta fazer valer o seu direito, sabe o que acontece? "O tesoureiro saiu, o contador levou o livro caixa, a solicitação deve ser feita por escrito", etc. Através de astutas estratégias, faz-se de tudo para que o crente não obtenha a informação.
Se pelo menos resumos financeiros fossem dados apenas àqueles que são reconhecidos oficialmente como membros, já seria bom, mas nem isso!
Quero finalizar, citando algumas palavras do livro "O Pastor Pentecostal" da CPAD, encontradas nas páginas 346-350.
Por sua própria natureza, nossa humanidade requer prestação de contas.
A história dos grandes evangelizadores não é um registro de individualistas que não se prendiam a regras organizacionais, mas de indivíduos resolutos que atuavam em relacionamentos de prestação de contas.
Os valores positivos da prestação de contas podem ser denotados ao longo da história da Igreja. Por mais de vinte séculos, não há um único exemplo em qualquer lugar de um sistemático movimento missionário ou de renovação sem as estruturas próprias da prestação de contas.
Os ministros, como profissionais, precisam desesperadamente de tal estrutura. Os ministros têm menos supervisão direta do que quase todos os outros grupos de profissionais. Gozam de considerável liberdade na execução de suas responsabilidades e têm intervalos de tempo que, se não forem cuidadosamente administrados, podem levá-los a padrões de comportamento danosos a eles, suas famílias e igreja a que servem.
Por Cristiano Santana
Por mais que nos esforcemos, há muitos fatos do mundo evangélico que realmente nunca vamos compreender. E se tentarmos elaborar alguma explicação, corremos o risco de ser acusados de caluniadores. Um desses fatos é a recusa persistente, de uma parte das lideranças eclesiásticas, da obrigação de prestar contas das finanças da igreja. A pergunta que não quer calar é esta: Por que os membros não merecem receber esse tipo de informação?
Em minha vivência cristã já ouvi inúmeras explicações para essa omissão. Infelizmente nenhuma delas conseguiu me convencer, e creio que não convencerá nenhuma pessoa sensata que prime pela transparência.
Há anos atrás era costume, pelo menos na Assembléia de Deus, reservar um dia para um espécie de culto administrativo, no qual era lido o relatório financeiro da igreja: quanto entrou, quanto saiu e o saldo do mês. Mas o tempo foi passando, a modernidade foi chegando, as igrejas se transformaram em corporações...Então as finanças da igreja passaram a ser classificadas como "top-secret", segredo de estado, guardadas a sete chaves, só conhecidas por um grupo seleto: o pastor-presidente e os assessores da tesouraria.
Mas vamos às duas principais explicações que são dadas atualmente. A primeira diz que o dízimo é do Senhor e que não cabe ao membro saber qual será a destinação da sua contribuição financeira. A segunda explicação: "é perigoso dar publicidade à movimentação financeira da igreja. A igreja poder ser assaltada, ou assediada por pessoas oportunistas que fingirão ser crentes para obter vantagens, como cestas básicas, por exemplo".
Quanto à primeira explicação, é preciso ressaltar que as igrejas são classificadas pelo Código Civil como organizações religiosas, resultado da associação de várias pessoas, denominadas membros, que são portadores de direitos e deveres, de acordo com o estatuto social registrado em cartório. Uma das prerrogativas dos membros é tomar parte nas decisões administrativas da igreja, participando ativamente das assembléias deliberativas. Por isso, prestar contas ao membros não é uma opção, mas uma obrigação do pastor, já que ele não é gestor de seu dinheiro, mas do dinheiro de todos, dinheiro da IGREJA.
Nem precisaríamos invocar a lei. Basta imaginar a seguinte situação: O crente chega à igreja contente para adorar ao Senhor. Percebe então que o banco em que está sentado está cheio de farpas. De repente cai um pingo de água em sua cabeça, proveniente de um vazamento no teto. Quando vai ao banheiro, não há papel higiênico nem papel toalha. Acham que ele deve ficar calado? Claro que não! Deve cobrar do pastor satisfações quanto à aplicação que está sendo dada ao dízimo "suado" que dá todo mês e recusar essa balela de que o pastor prestará contas a Deus se estiver utilizando indevidamente o dinheiro. NÃO! Se dissipar o dinheiro da igreja, o pastor será SIM responsabilizado perante os homens, civil e criminalmente. Que ele se entenda depois com Deus no juízo final.
Quanto à segunda explicação, que tenta evitar dar publicidade à situação financeira da igreja, os argumentos não resistem às mais simples refutações. O pastor não quer chamar a atenção dos assaltantes, mas não é isso que faz quando chega à igreja com um carro do ano, às vezes até importado? Quanto aos oportunistas, qualquer pastor experiente é capaz de discernir entre o sincero e o aproveitador.
Estamos diante então, de um fato inexplicável. Conhecemos o faturamento das maiores empresas do mundo: Microsoft, Petrobrás, Bradesco, etc. Também conhecemos os detalhes das licitações de milhares de empresas públicas, através de sites como o Portal Transparência. Também todo condomínio, neste enorme Brasil, distribui balancetes financeiros aos moradores. Mas NÃO podemos conhecer a vida financeira de algumas igrejas. Por quê? Eu gostaria tanto de uma resposta convincente!
Alguns líderes procuram tapar o sol com a peneira, dizendo: "Espera aí! Quem quiser pode ir à tesouraria para obter essas informações".
O problema é que, quando o membro tenta fazer valer o seu direito, sabe o que acontece? "O tesoureiro saiu, o contador levou o livro caixa, a solicitação deve ser feita por escrito", etc. Através de astutas estratégias, faz-se de tudo para que o crente não obtenha a informação.
Se pelo menos resumos financeiros fossem dados apenas àqueles que são reconhecidos oficialmente como membros, já seria bom, mas nem isso!
Quero finalizar, citando algumas palavras do livro "O Pastor Pentecostal" da CPAD, encontradas nas páginas 346-350.
Por sua própria natureza, nossa humanidade requer prestação de contas.
A história dos grandes evangelizadores não é um registro de individualistas que não se prendiam a regras organizacionais, mas de indivíduos resolutos que atuavam em relacionamentos de prestação de contas.
Os valores positivos da prestação de contas podem ser denotados ao longo da história da Igreja. Por mais de vinte séculos, não há um único exemplo em qualquer lugar de um sistemático movimento missionário ou de renovação sem as estruturas próprias da prestação de contas.
Os ministros, como profissionais, precisam desesperadamente de tal estrutura. Os ministros têm menos supervisão direta do que quase todos os outros grupos de profissionais. Gozam de considerável liberdade na execução de suas responsabilidades e têm intervalos de tempo que, se não forem cuidadosamente administrados, podem levá-los a padrões de comportamento danosos a eles, suas famílias e igreja a que servem.
A IGREJA CLAMA POR MELHORES PASTORES
A IGREJA CLAMA POR MELHORES PASTORES
AUTOR: CRISTIANO SANTANA
O PROBLEMA
É possível que uma congregação inteira fique insatisfeita com o seu pastor, a ponto de desejar, ardentemente, a sua substituição? Essa pergunta, à primeira vista, parece ridícula e sem fundamento, isto porque, a priori, o pastor foi ungido pelo Senhor Jesus Cristo para o santo ministério e, consecutivamente, foi considerado digno da confiança do pastor-presidente que o designou para essa função. Dessa forma, a própria insatisfação, em si, seria considerada uma atitude reprovável; mais do que isso: tal atitude poderia ser a manifestação de crentes que sucumbiram às influências de Satanás, o grande semeador de contendas.
Há quem diga que, nos primódios do protestantismo no Brasil, a figura do pastor gozava de uma maior autoridade sobre o rebanho, que aceitava, sem contestação, a sua decisão. Os congregados orbitavam em torno do pastor como planetas regidos por um lei inquebrantável. Protesta-se que hoje a situação não é mais a mesma. Frequentemente o pastor tem de lidar com membros contenciosos, e até obreiros, que lhe resistem abertamente, desprezando completamente a sua superioridade eclesiástica.
Ainda que não abertamente, percebe-se que atualmente há um conflito em andamento em várias igrejas. De um lado os membros reivindicam o direito de participar das decisões da igreja, o direito de serem ouvidos. Há um forte clamor por uma igreja mais democrática, por uma administração mais participativa. Há cristãos que não querem mais se submeter passivamente a tudo que o pastor determina. Eles exigem sempre uma razão. Do outro lado, há os pastores, que não admitem perder terreno para os membros. Não abrem mão de terem sempre a palavra final e não aceitam serem contrariados. Sentem-se confortáveis em serem líderes autocráticos. Acham que o pastor que tenta agradar a maioria destrói a si mesmo; acham que ceder às crescentes exigências dos membros mina completamente a autoridade do pastor. Há muitas igrejas vivendo sob essa tensão que, às vezes, é quase insuportável.
É uma guerra fria, na qual, um tenta prevalecer sobre o outro. Quando insatifeitos, os membros torcem pela destituição do pastor. Esse último, por sua vez, sonha com o dia em que os contenciosos mudarão para outra congregação, deixando-o, assim, em paz.
E agora? Quem está com a razão?
Talvez a melhor forma de analisar esse conflito seja atingir as causas, não secundárias, mas primárias do seu surgimento, as quais, uma vez conhecidas, possibilitarão o apontamento de soluções mais eficazes. Realmente, é verdade que, quando se conhece a causa de uma doença, torna-se mais fácil achar a sua cura.
São dois os fatores preponderantes que colaboraram para o surgimento do abismo relacional entre os pastores e membros:
AS CAUSAS DO PROBLEMA
1) O advento da igreja pós-moderna.
2) O crescimento das igrejas
Quanto ao primeiro fator, deve ser dito, primeiramente, que não há dúvida quanto à honradez, à sinceridade e ao caráter ilibado de grande parte dos pastores que são designados como dirigentes de congregação por seus pastores-presidentes. São servos de Deus que têm dedicado suas vidas em prol do Evangelho. Quanto aos mais idosos, a Igreja do Senhor Jesus Cristo é mais do que grata pelo trabalho pioneiro, prestado por eles, há décadas atrás.
Entretanto, a sociedade pós-moderna globalizada, multicultural, secularizada, cética e pluralista tem exigido do pastor um aperfeiçoamento mais abrangente, em diversas áreas (espiritual, cultural, intelectual, psicológica, etc.)
O livro “O Pastor Pentecostal – Um mandato para o Séc. 21” (Edições CPAD) fala sobre a necessidade de lidar com mudanças: “Já não vivemos nos dias de antigamente, quando o pai trabalhava, a mãe ficava em casa, as crianças faziam suas lições de casa depois da escola e todos iam juntos à igreja no domingo. A era da informação mudou a maneira como as pessoas trabalham e vivem. O mundo de hoje não é como o de nossos pais. A época em que vivemos não é o que aprendemos em institutos bíblicos ou nos seminários.”
Continua o livro: “As mudanças têm afetado drasticamente a igreja. Em muitos casos achamos difícil enfrentar o fato de que as circunstâncias mudam. Muitas vezes, em nosso zelo de nos manter fiéis a uma mensagem imutável, não percebemos que estamos nos dirigindo a um mundo mutável. Pastores e igrejas de sucesso percebem que vivem em um mundo sujeito a mudanças e adaptam a mensagem imutável a esse mundo mutável. A influência da televisão levou ao mundo para as zonas rurais. Em igrejas pequenas, mais se exige de pastores e líderes de igrejas para tentarem igualar-se aos grandes ministérios paraeclesiásticos vistos na televisão nacional. Crianças que passam a semana na escola aprendendo em computadores e divertindo-se em jogos virtuais de computador já não ficam fascinadas com o flanelógrafo na aula da Escola Dominical. Ainda que o poder de nossa mensagem seja imutável, o meio de apresentar a mensagem tem de mudar. O desafio enfrentado pelos pastores da atualidade é como lidar pessoalmente com o andamento e o impacto das mudanças, como ajudar as pessoas a lidar com essas mudanças e como controlar as mudanças em nossas igrejas”
Há pastores que ainda estão presos ao passado. Insistem em aplicar filosofias administrativas, costumes e valores que já são, por demais obsoletos e que não têm mais nenhuma utilidade para a igreja. Não se trata aqui de dizer que os cristãos têm de arrancar os "marcos antigos" e substituí-los por outros, ou trocá-los de lugar. Certamente, existem valores que são absolutos, imutáveis e eternos, inerentes à essência do Evangelho, mas existem outros que são relativos, fortemente influenciados pela cultura de uma época, como é o caso da antiga proibição de assistir televisão. Outros princípios como a necessidade de se evitar vestes indecorosas dentro da casa de Deus, certamente permanecerão.
Também há pastores, que não obstante serem da uma nova safra, também não estão sintonizados com a nova realidade. Eles têm um formação teológica, cultural e eclesiástica muito limitada. Muitos deles são lançados de pára-quedas nas congregações por seus pastores-presidentes, sem nenhum preparo prévio. A não ser por uma intervenção miraculosa da parte de Deus, uma igreja que receba tal obreiro está destinada ao sofrimento, dada a complexidade que envolve dirigir uma congregação.
Quanto ao segundo fator - o crescimento da igreja - os chamados "campos" ministeriais eram pequenos até algum tempo atrás. Logo começaram a crescer, multiplicando, quase que exponencialmente, as suas congregações. Hoje são ministérios imensos, alguns contando com centenas de congregações. A igreja, enfim se institucionalizou, assumindo aspecto praticamente corporativo. O resultado colateral desse espantoso crescimento foi a perda do controle sobre as ações do dirigente de congregação. O pastor-presidente passou a concentrar sua atenção em problemas cada vez mais complexos e gerais, envolvendo-se em decisões do chamado "alto escalão"; decisões predominantemente institucionais e de natureza financeira, arregimentando, também, para essa finalidade um grupo considerável de pastores que passaram a dedicar seus esforços à manutenção da máquina administrativa.
Como resultado, os crentes foram deixados à mercê do arbítrio do dirigente da congregação que, por não haver um acompanhamento mais efetivo de sua liderança, vê-se livre para imprimir seus próprios valores, às vezes contrários ao da igreja matriz. O resultado, geralmente, é o jugo, o sofrimento. Comumente, a tensão surge quando os membros percebem que o seu dirigente toma atitudes que não coadunam com a filosofia administrativa do pastor-presidente. Há situações como essas que perduram por longos anos, sem o conhecimento do pastor-presidente que não tem tempo para cuidar de detalhes. Os crentes são maltrados e desrespeitados. Quando chega a denúncia ao pastor-presidente, ele não dá crédito. Acha que as reclamações são apenas murmurações sem fundamento que não comprometem a reputação do seu subordinado. Não há dúvida de que o acompanhamento das atividades da congregação, pela diretoria da matriz, certamente iria coibir muitas práticas abusivas, perpetradas por alguns dirigentes. Mas ocorre o contrário: há líderes que praticamente não se importam com o que se passa na congregação.
PROPOSTAS PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA
Foram encontradas, portanto, duas causas primárias que originam essa tensão atual entre pastores e membros:
-Incompatibilidade entre os valores do pastor e as necessidades da nova igreja.
-Ausência de um sistema interno de controle, que permita uma avaliação precisa da eficiência pastoral e administrativa do dirigente da congregação.
Duas propostas poderiam ser apresentadas, com o fim de solucionar o problema ora apresentado:
1) Reunião anual em cada congregação, entre membros e obreiros, com a participação de um representante da diretoria da igreja-matriz, como observador.
2) Cursos de reciclagem para os dirigentes de congregação, extensivo aos demais obreiros, nos quais pudessem ser ministradas palestras com temas diretamente vinculados ao ministério pastoral, tais como: ética cristã, relações interpessoais, liturgia, aconselhamento pastoral, finanças, princípios básicos do Direito Civil relativo a igrejas, etc.
Dando desenvolvimento à primeira idéia, considera-se de vital importância a visita periódica de membros da diretoria da igreja-matriz às congregações, para participarem de reuniões, com o exclusivo objetivo de tomarem ciência de seus projetos, seus problemas, enfim, suas realidades. Justificativas para tal medida:
-Os membros se sentiriam mais valorizados, pois passariam a ter uma maior percepção do interesse da administração central pelos assuntos da congregação. Há congregações que ficam sem visita de pastores da matriz por anos a fio. Tal situação configura-se um verdadeiro abandono.
-A diretoria passaria a ter o acesso direto a informações que, por sua própria natureza, têm mais dificuldades de serem conhecidas pela simples supervisão à distância. Como protestantes, repudiamos totalmente o dogma da infalibilidade papal. A justificativa para tal posição é o fato de reconhecermos que até o mais santo dos homens é falho. Inclui-se no rol das possíveis falhas a tentativa de um subalterno ocultar fatos àquele a quem deve prestar contas. Infelizmente, nesses casos, a informação só chega ao órgão superior através de denúncias anônimas daqueles que se sentem injustiçados. Segue-se que, basear-se em um relatório periódico do dirigente, por mais confiável que ele seja, constitui apenas uma das vias de conhecimento da realidade da congregação. Basear-se apenas na fria análise estatística da entrada de dízimos é tratar de forma superficial o problema. É mister valher-se de outros métodos de avaliação do desempenho daquele que está no comando das ovelhas do Senhor. Na maioria das principais instituições da sociedade moderna há algum tipo de supervisão ou controle. No âmbito do judiciário, existe o sistema de correição que consiste na visita periódica de juízes, designados pela Corregedoria, a cada uma das comarcas do Estado, com o objetivo de tomarem ciência de todos os problemas internos às varas. O princípio da publicidade impede que secretários municipais e estaduais e ministros de governo realizem algum ato administrativo sem o conhecimento de outros órgãos. Ouv-se dizer que o dono das Casas Bahia visita pessoalmente suas lojas, até anonimamente, para se certificar do bom andamento de seus negócios. Alguém poderia dizer que a Igreja não é o Judiciário, não é a Administração Pública e não é as Casas Bahia. Concordo. Não é mesmo. A Igreja é muito mais importante e merece uma supervisão mais cuidadosa e objetiva que não passe apenas pela via unilateral da auto-avaliação subjetiva do dirigente da congregação.
-Um contato mais direto com os problemas pelos quais passa o dirigente permitiria à Diretoria uma melhor avaliação da situação da congregação, possibilitando, conseqüentemente, soluções mais eficazes e um suporte mais sólido ao dirigente. A princípio a ida de membros da Diretoria à congregação parece ser uma ação incoerente de fiscalização das atividades do dirigente, pois, se o pastor presidente o colocou ali, é porque confia nele plenamente. Não deve ser entendido assim. Essa medida, na verdade, é uma forma maravilhosa de se oferecer apoio ao dirigente, que, em algumas situações, pode sentir-se isolado numa ilha de dificuldades, sem ter quem o ajude.
Quanto à segunda idéia, é inegável que a promoção de palestras, voltadas especificamente para os dirigentes das congregações e seus auxiliares, tendo em vista o aperfeiçoamento do ministério, em face dos desafios do Século 21, iria redundar em frutos abundantes: crescimento da membresia, satisfação dos membros, prosperidade financeira e outras dádivas que Deus, com certeza, quer conceder à sua igreja. Como já foi dito, são muitos os assuntos que podem ser ministrados: ética cristã, relações interpessoais, liturgia, aconselhamento pastoral, finanças, princípios básicos do Direito Civil relacionado a igrejas, etc. Especialistas poderiam ser convidados para instruir os dirigentes através de palestras com programação predefinida.
As maiores empresas do mundo: Microsoft, Xerox, Petrobrás, etc., promovem, regularmente, cursos de reciclagem para seus executivos. Por que os obreiros não precisam? Os pastores atuais também precisam, muito, de cursos de reciclagem que lhes permitam uma auto-avaliação e que lhe mostre novos horizontes e novos conceitos. Com certeza, o obreiro do Senhor precisa de um constante aperfeiçoamento, para o seu bem, e, principalmente, para o bem do corpo de Cristo. Sempre há espaço para se aprender alguma coisa nova e útil.
O perfil do crente atual tem exigido pastores bem preparados. As pessoas atualmente são mais instruídas, bem mais esclarecidas, tanto cultural quanto teologicamente. As necessidades também mudaram sensivelmente. O pastor que parou no tempo não têm mais condições de atender a esse tipo de crente. Ser espiritual apenas, não basta. Pedro era tão espiritual quanto Paulo, mas Paulo destacou-se como o mais importante do apóstolos justamente por causa da sua melhor formação. A própria administração da igreja exige do pastor conhecimentos básicos de contabilidade, legislação, informática, etc.
Às vezes, em reuniões de obreiros, gasta-se um tempo precioso com frivolidades. São ótimas oportunidades para a realização de palestras instrutivas, mas infelizmente, não são aproveitadas.
CONCLUSÃO:
A situação, acima exposta, deixa claro que quando o pastor-presidente negligencia a sua obrigação de garantir a formação e designação de pastores excelentes, quem sofre é o membro comum. O trabalho constante do pastor-presidente de proporcionar aperfeiçoamento aos seus pastores e de monitorar suas atividades, certamente reduziria em muito os conflitos que surgem nas congregações.
Vive-se, atualmente, uma situação há muito profetizada pelo filósofo cristão dinamarquês Kierkegaard, o qual, em sua época, lamentou sobre a forma pela qual a religião cristã de seu país violentava o indivíduo, transformando-o em um ser despersonalizado, na grande massa disforme de seres humanos, impedindo-o de reconhecer o valor da sua própria existência, como criatura singular. É exatamente isso o que muitas igrejas estão fazendo com muitos filhos de Deus, os quais, por incrível que pareça, sentem-se, muitas vezes, solitários dentro da Casa do Senhor, abandonados por aqueles há muitos dominados por um egoísmo perverso e que estão cegos para as desgraças alheias.
As pessoas atualmente estão mais carentes do que nunca. Elas não querem ser apenas um número; elas querem ser um SER. Isso tudo foi causado pelo crescimento da igreja, mas ainda há tempo de reverter essa situação e adotar uma política que prime pela valorização da boa relação entre o pastor e seus membros. O pastor deve ser preparado para o membro e o membro para o pastor. O resultado, certamente, seria a valorização do pastor pelo membro e também, o reconhecimento pelo pastor, de que o membro não é apenas um estatística, mas alguém que merece todo o seu carinho e atenção.
AUTOR: CRISTIANO SANTANA
O PROBLEMA
É possível que uma congregação inteira fique insatisfeita com o seu pastor, a ponto de desejar, ardentemente, a sua substituição? Essa pergunta, à primeira vista, parece ridícula e sem fundamento, isto porque, a priori, o pastor foi ungido pelo Senhor Jesus Cristo para o santo ministério e, consecutivamente, foi considerado digno da confiança do pastor-presidente que o designou para essa função. Dessa forma, a própria insatisfação, em si, seria considerada uma atitude reprovável; mais do que isso: tal atitude poderia ser a manifestação de crentes que sucumbiram às influências de Satanás, o grande semeador de contendas.
Há quem diga que, nos primódios do protestantismo no Brasil, a figura do pastor gozava de uma maior autoridade sobre o rebanho, que aceitava, sem contestação, a sua decisão. Os congregados orbitavam em torno do pastor como planetas regidos por um lei inquebrantável. Protesta-se que hoje a situação não é mais a mesma. Frequentemente o pastor tem de lidar com membros contenciosos, e até obreiros, que lhe resistem abertamente, desprezando completamente a sua superioridade eclesiástica.
Ainda que não abertamente, percebe-se que atualmente há um conflito em andamento em várias igrejas. De um lado os membros reivindicam o direito de participar das decisões da igreja, o direito de serem ouvidos. Há um forte clamor por uma igreja mais democrática, por uma administração mais participativa. Há cristãos que não querem mais se submeter passivamente a tudo que o pastor determina. Eles exigem sempre uma razão. Do outro lado, há os pastores, que não admitem perder terreno para os membros. Não abrem mão de terem sempre a palavra final e não aceitam serem contrariados. Sentem-se confortáveis em serem líderes autocráticos. Acham que o pastor que tenta agradar a maioria destrói a si mesmo; acham que ceder às crescentes exigências dos membros mina completamente a autoridade do pastor. Há muitas igrejas vivendo sob essa tensão que, às vezes, é quase insuportável.
É uma guerra fria, na qual, um tenta prevalecer sobre o outro. Quando insatifeitos, os membros torcem pela destituição do pastor. Esse último, por sua vez, sonha com o dia em que os contenciosos mudarão para outra congregação, deixando-o, assim, em paz.
E agora? Quem está com a razão?
Talvez a melhor forma de analisar esse conflito seja atingir as causas, não secundárias, mas primárias do seu surgimento, as quais, uma vez conhecidas, possibilitarão o apontamento de soluções mais eficazes. Realmente, é verdade que, quando se conhece a causa de uma doença, torna-se mais fácil achar a sua cura.
São dois os fatores preponderantes que colaboraram para o surgimento do abismo relacional entre os pastores e membros:
AS CAUSAS DO PROBLEMA
1) O advento da igreja pós-moderna.
2) O crescimento das igrejas
Quanto ao primeiro fator, deve ser dito, primeiramente, que não há dúvida quanto à honradez, à sinceridade e ao caráter ilibado de grande parte dos pastores que são designados como dirigentes de congregação por seus pastores-presidentes. São servos de Deus que têm dedicado suas vidas em prol do Evangelho. Quanto aos mais idosos, a Igreja do Senhor Jesus Cristo é mais do que grata pelo trabalho pioneiro, prestado por eles, há décadas atrás.
Entretanto, a sociedade pós-moderna globalizada, multicultural, secularizada, cética e pluralista tem exigido do pastor um aperfeiçoamento mais abrangente, em diversas áreas (espiritual, cultural, intelectual, psicológica, etc.)
O livro “O Pastor Pentecostal – Um mandato para o Séc. 21” (Edições CPAD) fala sobre a necessidade de lidar com mudanças: “Já não vivemos nos dias de antigamente, quando o pai trabalhava, a mãe ficava em casa, as crianças faziam suas lições de casa depois da escola e todos iam juntos à igreja no domingo. A era da informação mudou a maneira como as pessoas trabalham e vivem. O mundo de hoje não é como o de nossos pais. A época em que vivemos não é o que aprendemos em institutos bíblicos ou nos seminários.”
Continua o livro: “As mudanças têm afetado drasticamente a igreja. Em muitos casos achamos difícil enfrentar o fato de que as circunstâncias mudam. Muitas vezes, em nosso zelo de nos manter fiéis a uma mensagem imutável, não percebemos que estamos nos dirigindo a um mundo mutável. Pastores e igrejas de sucesso percebem que vivem em um mundo sujeito a mudanças e adaptam a mensagem imutável a esse mundo mutável. A influência da televisão levou ao mundo para as zonas rurais. Em igrejas pequenas, mais se exige de pastores e líderes de igrejas para tentarem igualar-se aos grandes ministérios paraeclesiásticos vistos na televisão nacional. Crianças que passam a semana na escola aprendendo em computadores e divertindo-se em jogos virtuais de computador já não ficam fascinadas com o flanelógrafo na aula da Escola Dominical. Ainda que o poder de nossa mensagem seja imutável, o meio de apresentar a mensagem tem de mudar. O desafio enfrentado pelos pastores da atualidade é como lidar pessoalmente com o andamento e o impacto das mudanças, como ajudar as pessoas a lidar com essas mudanças e como controlar as mudanças em nossas igrejas”
Há pastores que ainda estão presos ao passado. Insistem em aplicar filosofias administrativas, costumes e valores que já são, por demais obsoletos e que não têm mais nenhuma utilidade para a igreja. Não se trata aqui de dizer que os cristãos têm de arrancar os "marcos antigos" e substituí-los por outros, ou trocá-los de lugar. Certamente, existem valores que são absolutos, imutáveis e eternos, inerentes à essência do Evangelho, mas existem outros que são relativos, fortemente influenciados pela cultura de uma época, como é o caso da antiga proibição de assistir televisão. Outros princípios como a necessidade de se evitar vestes indecorosas dentro da casa de Deus, certamente permanecerão.
Também há pastores, que não obstante serem da uma nova safra, também não estão sintonizados com a nova realidade. Eles têm um formação teológica, cultural e eclesiástica muito limitada. Muitos deles são lançados de pára-quedas nas congregações por seus pastores-presidentes, sem nenhum preparo prévio. A não ser por uma intervenção miraculosa da parte de Deus, uma igreja que receba tal obreiro está destinada ao sofrimento, dada a complexidade que envolve dirigir uma congregação.
Quanto ao segundo fator - o crescimento da igreja - os chamados "campos" ministeriais eram pequenos até algum tempo atrás. Logo começaram a crescer, multiplicando, quase que exponencialmente, as suas congregações. Hoje são ministérios imensos, alguns contando com centenas de congregações. A igreja, enfim se institucionalizou, assumindo aspecto praticamente corporativo. O resultado colateral desse espantoso crescimento foi a perda do controle sobre as ações do dirigente de congregação. O pastor-presidente passou a concentrar sua atenção em problemas cada vez mais complexos e gerais, envolvendo-se em decisões do chamado "alto escalão"; decisões predominantemente institucionais e de natureza financeira, arregimentando, também, para essa finalidade um grupo considerável de pastores que passaram a dedicar seus esforços à manutenção da máquina administrativa.
Como resultado, os crentes foram deixados à mercê do arbítrio do dirigente da congregação que, por não haver um acompanhamento mais efetivo de sua liderança, vê-se livre para imprimir seus próprios valores, às vezes contrários ao da igreja matriz. O resultado, geralmente, é o jugo, o sofrimento. Comumente, a tensão surge quando os membros percebem que o seu dirigente toma atitudes que não coadunam com a filosofia administrativa do pastor-presidente. Há situações como essas que perduram por longos anos, sem o conhecimento do pastor-presidente que não tem tempo para cuidar de detalhes. Os crentes são maltrados e desrespeitados. Quando chega a denúncia ao pastor-presidente, ele não dá crédito. Acha que as reclamações são apenas murmurações sem fundamento que não comprometem a reputação do seu subordinado. Não há dúvida de que o acompanhamento das atividades da congregação, pela diretoria da matriz, certamente iria coibir muitas práticas abusivas, perpetradas por alguns dirigentes. Mas ocorre o contrário: há líderes que praticamente não se importam com o que se passa na congregação.
PROPOSTAS PARA A SOLUÇÃO DO PROBLEMA
Foram encontradas, portanto, duas causas primárias que originam essa tensão atual entre pastores e membros:
-Incompatibilidade entre os valores do pastor e as necessidades da nova igreja.
-Ausência de um sistema interno de controle, que permita uma avaliação precisa da eficiência pastoral e administrativa do dirigente da congregação.
Duas propostas poderiam ser apresentadas, com o fim de solucionar o problema ora apresentado:
1) Reunião anual em cada congregação, entre membros e obreiros, com a participação de um representante da diretoria da igreja-matriz, como observador.
2) Cursos de reciclagem para os dirigentes de congregação, extensivo aos demais obreiros, nos quais pudessem ser ministradas palestras com temas diretamente vinculados ao ministério pastoral, tais como: ética cristã, relações interpessoais, liturgia, aconselhamento pastoral, finanças, princípios básicos do Direito Civil relativo a igrejas, etc.
Dando desenvolvimento à primeira idéia, considera-se de vital importância a visita periódica de membros da diretoria da igreja-matriz às congregações, para participarem de reuniões, com o exclusivo objetivo de tomarem ciência de seus projetos, seus problemas, enfim, suas realidades. Justificativas para tal medida:
-Os membros se sentiriam mais valorizados, pois passariam a ter uma maior percepção do interesse da administração central pelos assuntos da congregação. Há congregações que ficam sem visita de pastores da matriz por anos a fio. Tal situação configura-se um verdadeiro abandono.
-A diretoria passaria a ter o acesso direto a informações que, por sua própria natureza, têm mais dificuldades de serem conhecidas pela simples supervisão à distância. Como protestantes, repudiamos totalmente o dogma da infalibilidade papal. A justificativa para tal posição é o fato de reconhecermos que até o mais santo dos homens é falho. Inclui-se no rol das possíveis falhas a tentativa de um subalterno ocultar fatos àquele a quem deve prestar contas. Infelizmente, nesses casos, a informação só chega ao órgão superior através de denúncias anônimas daqueles que se sentem injustiçados. Segue-se que, basear-se em um relatório periódico do dirigente, por mais confiável que ele seja, constitui apenas uma das vias de conhecimento da realidade da congregação. Basear-se apenas na fria análise estatística da entrada de dízimos é tratar de forma superficial o problema. É mister valher-se de outros métodos de avaliação do desempenho daquele que está no comando das ovelhas do Senhor. Na maioria das principais instituições da sociedade moderna há algum tipo de supervisão ou controle. No âmbito do judiciário, existe o sistema de correição que consiste na visita periódica de juízes, designados pela Corregedoria, a cada uma das comarcas do Estado, com o objetivo de tomarem ciência de todos os problemas internos às varas. O princípio da publicidade impede que secretários municipais e estaduais e ministros de governo realizem algum ato administrativo sem o conhecimento de outros órgãos. Ouv-se dizer que o dono das Casas Bahia visita pessoalmente suas lojas, até anonimamente, para se certificar do bom andamento de seus negócios. Alguém poderia dizer que a Igreja não é o Judiciário, não é a Administração Pública e não é as Casas Bahia. Concordo. Não é mesmo. A Igreja é muito mais importante e merece uma supervisão mais cuidadosa e objetiva que não passe apenas pela via unilateral da auto-avaliação subjetiva do dirigente da congregação.
-Um contato mais direto com os problemas pelos quais passa o dirigente permitiria à Diretoria uma melhor avaliação da situação da congregação, possibilitando, conseqüentemente, soluções mais eficazes e um suporte mais sólido ao dirigente. A princípio a ida de membros da Diretoria à congregação parece ser uma ação incoerente de fiscalização das atividades do dirigente, pois, se o pastor presidente o colocou ali, é porque confia nele plenamente. Não deve ser entendido assim. Essa medida, na verdade, é uma forma maravilhosa de se oferecer apoio ao dirigente, que, em algumas situações, pode sentir-se isolado numa ilha de dificuldades, sem ter quem o ajude.
Quanto à segunda idéia, é inegável que a promoção de palestras, voltadas especificamente para os dirigentes das congregações e seus auxiliares, tendo em vista o aperfeiçoamento do ministério, em face dos desafios do Século 21, iria redundar em frutos abundantes: crescimento da membresia, satisfação dos membros, prosperidade financeira e outras dádivas que Deus, com certeza, quer conceder à sua igreja. Como já foi dito, são muitos os assuntos que podem ser ministrados: ética cristã, relações interpessoais, liturgia, aconselhamento pastoral, finanças, princípios básicos do Direito Civil relacionado a igrejas, etc. Especialistas poderiam ser convidados para instruir os dirigentes através de palestras com programação predefinida.
As maiores empresas do mundo: Microsoft, Xerox, Petrobrás, etc., promovem, regularmente, cursos de reciclagem para seus executivos. Por que os obreiros não precisam? Os pastores atuais também precisam, muito, de cursos de reciclagem que lhes permitam uma auto-avaliação e que lhe mostre novos horizontes e novos conceitos. Com certeza, o obreiro do Senhor precisa de um constante aperfeiçoamento, para o seu bem, e, principalmente, para o bem do corpo de Cristo. Sempre há espaço para se aprender alguma coisa nova e útil.
O perfil do crente atual tem exigido pastores bem preparados. As pessoas atualmente são mais instruídas, bem mais esclarecidas, tanto cultural quanto teologicamente. As necessidades também mudaram sensivelmente. O pastor que parou no tempo não têm mais condições de atender a esse tipo de crente. Ser espiritual apenas, não basta. Pedro era tão espiritual quanto Paulo, mas Paulo destacou-se como o mais importante do apóstolos justamente por causa da sua melhor formação. A própria administração da igreja exige do pastor conhecimentos básicos de contabilidade, legislação, informática, etc.
Às vezes, em reuniões de obreiros, gasta-se um tempo precioso com frivolidades. São ótimas oportunidades para a realização de palestras instrutivas, mas infelizmente, não são aproveitadas.
CONCLUSÃO:
A situação, acima exposta, deixa claro que quando o pastor-presidente negligencia a sua obrigação de garantir a formação e designação de pastores excelentes, quem sofre é o membro comum. O trabalho constante do pastor-presidente de proporcionar aperfeiçoamento aos seus pastores e de monitorar suas atividades, certamente reduziria em muito os conflitos que surgem nas congregações.
Vive-se, atualmente, uma situação há muito profetizada pelo filósofo cristão dinamarquês Kierkegaard, o qual, em sua época, lamentou sobre a forma pela qual a religião cristã de seu país violentava o indivíduo, transformando-o em um ser despersonalizado, na grande massa disforme de seres humanos, impedindo-o de reconhecer o valor da sua própria existência, como criatura singular. É exatamente isso o que muitas igrejas estão fazendo com muitos filhos de Deus, os quais, por incrível que pareça, sentem-se, muitas vezes, solitários dentro da Casa do Senhor, abandonados por aqueles há muitos dominados por um egoísmo perverso e que estão cegos para as desgraças alheias.
As pessoas atualmente estão mais carentes do que nunca. Elas não querem ser apenas um número; elas querem ser um SER. Isso tudo foi causado pelo crescimento da igreja, mas ainda há tempo de reverter essa situação e adotar uma política que prime pela valorização da boa relação entre o pastor e seus membros. O pastor deve ser preparado para o membro e o membro para o pastor. O resultado, certamente, seria a valorização do pastor pelo membro e também, o reconhecimento pelo pastor, de que o membro não é apenas um estatística, mas alguém que merece todo o seu carinho e atenção.
sábado, 11 de junho de 2011
Carta da liderança dos Jovens da Betesda em São Paulo ao Pr. Ricardo Gondim
Carta da liderança dos Jovens da Betesda em São Paulo ao Pr. Ricardo Gondim
Em tempo de mentiras, fofocas, intrigas e má fé, é importante descer do muro e se posicionar. Quem assim orientou foi o Dr. Martin Luther King Jr., que em sua carta da prisão em Birminghan, de 1963, escreveu: “Mais nociva que a minoria de homens maus que criam a injustiça é a maioria de homens "bons" que não fazem nada para denunciá-la”.
Dr. King dirigiu a carta aos pastores brancos que o pressionavam a se calar a respeito dos direitos civis dos negros, criticavam suas manifestações, chamavam King de extremista, anarquista, ateu e humanista.
Isso aconteceu numa época em que ter a pele escura, nos EUA, era sinônimo de “não ser gente”. Quem era o Dr. King para querer transformar negros em gente e lhes dar direitos civis?
O argumento vigente contra os direitos civis dos afro-americanos vinha da Bíblia. A maioria dos cristãos (brancos, claro) afirmava que Deus não queria que os diferentes descendentes de Noé fossem misturados aos brancos puros, alvos mais que a neve.
Da boca do falecido senador norte-americano Absalom Robertson - pai do famoso televangelista Pat Robertson - veio a conclusão que representava a mentalidade branca cristã norte-americana na década de cinquenta: “Eu certamente gostaria de ajudar as pessoas de cor, mas a Bíblia diz que não posso” [i].
Cada época tem seu argumento bíblico conveniente para oprimir as minorias.
Voltando ao assunto, não podemos nos calar diante de uma cruel injustiça que estamos testemunhando. Queremos fazer algo para denunciá-la. Não podemos ver lobos em pele de cordeiro dar a última palavra como se fosse verdadeira.
A injustiça a qual nos referimos é o violento e sistemático ataque ao Pr. Ricardo Gondim. Não é de hoje que os ataques acontecem, mas pioraram dramaticamente depois de sua entrevista à Carta Capital, quando se posicionou a favor de estender direitos civis aos homossexuais, garantindo-lhes o reconhecimento jurídico de união estável perante o Estado.
A partir daí mentiras foram inventadas, de propósito, por pessoas de má fé que não gostam do Gondim e que queriam, a todo custo, que sua voz fosse enfraquecida no universo evangélico brasileiro. Ou então, pessoas que viram nesse momento uma oportunidade de aparecer, às custas do nome do Ricardo.
Interessante é que a maior parte de seus acusadores e perseguidores nunca leu um livro que ele escreveu, ou um artigo, uma entrevista, nunca foi à um culto na igreja Betesda do Jardim Marajoara, em São Paulo – onde ele é pastor e prega todos os domingos – não conhece os membros da Betesda e não sabe quase nada sobre a história de vida do Gondim nem da Betesda. Apenas repete o discurso inflamado de seus líderes e pastores que vêem no livre-pensar do Gondim uma ameaça.
Afirmam que o pensamento do Gondim é uma ameaça à Bíblia e à fé cristã - mas é claro que isso é pretexto, para não dizer balela. Quem conhece a Betesda e o Gondim sabe que ele prega todos os domingos na Bíblia e que proclama em alto e bom som a fé cristã: Jesus é Deus encarnado, nascido de uma virgem por meio do Espírito Santo, morreu na cruz por amor de nós, a fim de nos salvar, e ressuscitou no terceiro dia vencendo a morte, estendendo a ressurreição a todos os homens e mulheres por meio da fé. Os que o consideram ameaça, portanto, consideram contra si mesmos, suas doutrinas maléficas, suas estruturas de poder e manipulação mental de gente honesta e de boa fé.
O Gondim virou o herege da vez. O inimigo da vez. Nada mais mesquinho e estranho ao Evangelho - que nos convida a amar os inimigos, mas parece que o universo evangélico se especializou em produzir inimigos para odiá-los em comunhão.
“Heresia” é uma palavra criada para tentar invalidar ideias opostas às ideias vigentes. Criar hereges é fonte de alianças maquiavélicas, para calar a boca de quem incomoda as maiorias, sempre poderosas. O Dr. Martin Luther King Jr. também já foi acusado de herege pelos pastores poderosos de sua época - e libertou um povo oprimido, dando a eles direito à cidadania. Lutero também já foi acusado de heresia, e é reconhecidamente o maior herege da Modernidade - é só por causa dele que temos livre acesso e interpretação da Bíblia. Os apóstolos foram chamados de hereges por anunciar que Deus havia encarnado em Jesus Cristo. E, por fim, Jesus já foi chamado de herege por se posicionar ao lado de uma mulher adúltera, relativizando uma lei mosaica, e libertando-a de um assassinato por apedrejamento - por essas e outras, foi parar numa cruz.
Heresia pressupõe uma verdade absoluta. Na fé cristã essa verdade é o Amor, não uma doutrina ou um dogma. Por isso não consideramos o Ricardo Gondim um herege, pois nunca o vimos relativizar a revelação que Deus é Amor. Ele é um herege apenas para quem considera alguma doutrina e lei absolutas. Mas nesse caso, King, Lutero, os apóstolos e o próprio Jesus também eram, então o Gondim está em ótima companhia, e seguindo um excelente caminho.
Se for assim, ainda bem que há hereges, e que ele é um! Nesse caso, aceitaremos o adjetivo como elogio.
Escrevemos para nos posicionar ao lado de quem tem nos ensinado a pensar, a ser livres e a amar. Escrevemos para dizer “obrigado” e “estamos juntos”, a quem nos tem ensinado a crescer a amadurecer na fé cristã.
Como escrevemos em 2007, voltamos a afirmar: aprendemos que qualquer um que tenta abrir os olhos de pessoas encabrestadas pela religião, acaba sendo queimado na fogueira da instituição.
Estamos seguros que o Verdadeiro Amor lança fora todo medo, e por isso não temos medo de caminhar com alguém que nos ensina a lidar responsavelmente com a liberdade do amor.
Obrigado Pr. Ricardo Gondim, conte com a gente. Sua vida tem sido inspiração para todos nós.
Liderança de Jovens da Betesda em São Paulo
Lucas Lujan
Andréa Lujan
Sheyla Pereira
Vitor Príncipe
Heloisa Príncipe
Adilson Lopes
William Romanini
Rose Guedes
Eliane Leite
Bruno Reikdal
William Barros
Joyce Banzato
Igreja Betesda no Jardim Marajoara
Fabio Guerra
Igreja Betesda em Diadema
Juliana Caroprezo
Igreja Betesda na Zona Leste
Marcos Ferreira
Igreja Betesda em Jardim das Fontes
Richard Castilho
Igreja Betesda em Osasco
Luis Dias
Igreja Betesda em Vila das Belezas
[i] HITCHENS, Christopher. Deus não é grande: como a religião envenena tudo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. Pág 166
Em tempo de mentiras, fofocas, intrigas e má fé, é importante descer do muro e se posicionar. Quem assim orientou foi o Dr. Martin Luther King Jr., que em sua carta da prisão em Birminghan, de 1963, escreveu: “Mais nociva que a minoria de homens maus que criam a injustiça é a maioria de homens "bons" que não fazem nada para denunciá-la”.
Dr. King dirigiu a carta aos pastores brancos que o pressionavam a se calar a respeito dos direitos civis dos negros, criticavam suas manifestações, chamavam King de extremista, anarquista, ateu e humanista.
Isso aconteceu numa época em que ter a pele escura, nos EUA, era sinônimo de “não ser gente”. Quem era o Dr. King para querer transformar negros em gente e lhes dar direitos civis?
O argumento vigente contra os direitos civis dos afro-americanos vinha da Bíblia. A maioria dos cristãos (brancos, claro) afirmava que Deus não queria que os diferentes descendentes de Noé fossem misturados aos brancos puros, alvos mais que a neve.
Da boca do falecido senador norte-americano Absalom Robertson - pai do famoso televangelista Pat Robertson - veio a conclusão que representava a mentalidade branca cristã norte-americana na década de cinquenta: “Eu certamente gostaria de ajudar as pessoas de cor, mas a Bíblia diz que não posso” [i].
Cada época tem seu argumento bíblico conveniente para oprimir as minorias.
Voltando ao assunto, não podemos nos calar diante de uma cruel injustiça que estamos testemunhando. Queremos fazer algo para denunciá-la. Não podemos ver lobos em pele de cordeiro dar a última palavra como se fosse verdadeira.
A injustiça a qual nos referimos é o violento e sistemático ataque ao Pr. Ricardo Gondim. Não é de hoje que os ataques acontecem, mas pioraram dramaticamente depois de sua entrevista à Carta Capital, quando se posicionou a favor de estender direitos civis aos homossexuais, garantindo-lhes o reconhecimento jurídico de união estável perante o Estado.
A partir daí mentiras foram inventadas, de propósito, por pessoas de má fé que não gostam do Gondim e que queriam, a todo custo, que sua voz fosse enfraquecida no universo evangélico brasileiro. Ou então, pessoas que viram nesse momento uma oportunidade de aparecer, às custas do nome do Ricardo.
Interessante é que a maior parte de seus acusadores e perseguidores nunca leu um livro que ele escreveu, ou um artigo, uma entrevista, nunca foi à um culto na igreja Betesda do Jardim Marajoara, em São Paulo – onde ele é pastor e prega todos os domingos – não conhece os membros da Betesda e não sabe quase nada sobre a história de vida do Gondim nem da Betesda. Apenas repete o discurso inflamado de seus líderes e pastores que vêem no livre-pensar do Gondim uma ameaça.
Afirmam que o pensamento do Gondim é uma ameaça à Bíblia e à fé cristã - mas é claro que isso é pretexto, para não dizer balela. Quem conhece a Betesda e o Gondim sabe que ele prega todos os domingos na Bíblia e que proclama em alto e bom som a fé cristã: Jesus é Deus encarnado, nascido de uma virgem por meio do Espírito Santo, morreu na cruz por amor de nós, a fim de nos salvar, e ressuscitou no terceiro dia vencendo a morte, estendendo a ressurreição a todos os homens e mulheres por meio da fé. Os que o consideram ameaça, portanto, consideram contra si mesmos, suas doutrinas maléficas, suas estruturas de poder e manipulação mental de gente honesta e de boa fé.
O Gondim virou o herege da vez. O inimigo da vez. Nada mais mesquinho e estranho ao Evangelho - que nos convida a amar os inimigos, mas parece que o universo evangélico se especializou em produzir inimigos para odiá-los em comunhão.
“Heresia” é uma palavra criada para tentar invalidar ideias opostas às ideias vigentes. Criar hereges é fonte de alianças maquiavélicas, para calar a boca de quem incomoda as maiorias, sempre poderosas. O Dr. Martin Luther King Jr. também já foi acusado de herege pelos pastores poderosos de sua época - e libertou um povo oprimido, dando a eles direito à cidadania. Lutero também já foi acusado de heresia, e é reconhecidamente o maior herege da Modernidade - é só por causa dele que temos livre acesso e interpretação da Bíblia. Os apóstolos foram chamados de hereges por anunciar que Deus havia encarnado em Jesus Cristo. E, por fim, Jesus já foi chamado de herege por se posicionar ao lado de uma mulher adúltera, relativizando uma lei mosaica, e libertando-a de um assassinato por apedrejamento - por essas e outras, foi parar numa cruz.
Heresia pressupõe uma verdade absoluta. Na fé cristã essa verdade é o Amor, não uma doutrina ou um dogma. Por isso não consideramos o Ricardo Gondim um herege, pois nunca o vimos relativizar a revelação que Deus é Amor. Ele é um herege apenas para quem considera alguma doutrina e lei absolutas. Mas nesse caso, King, Lutero, os apóstolos e o próprio Jesus também eram, então o Gondim está em ótima companhia, e seguindo um excelente caminho.
Se for assim, ainda bem que há hereges, e que ele é um! Nesse caso, aceitaremos o adjetivo como elogio.
Escrevemos para nos posicionar ao lado de quem tem nos ensinado a pensar, a ser livres e a amar. Escrevemos para dizer “obrigado” e “estamos juntos”, a quem nos tem ensinado a crescer a amadurecer na fé cristã.
Como escrevemos em 2007, voltamos a afirmar: aprendemos que qualquer um que tenta abrir os olhos de pessoas encabrestadas pela religião, acaba sendo queimado na fogueira da instituição.
Estamos seguros que o Verdadeiro Amor lança fora todo medo, e por isso não temos medo de caminhar com alguém que nos ensina a lidar responsavelmente com a liberdade do amor.
Obrigado Pr. Ricardo Gondim, conte com a gente. Sua vida tem sido inspiração para todos nós.
Liderança de Jovens da Betesda em São Paulo
Lucas Lujan
Andréa Lujan
Sheyla Pereira
Vitor Príncipe
Heloisa Príncipe
Adilson Lopes
William Romanini
Rose Guedes
Eliane Leite
Bruno Reikdal
William Barros
Joyce Banzato
Igreja Betesda no Jardim Marajoara
Fabio Guerra
Igreja Betesda em Diadema
Juliana Caroprezo
Igreja Betesda na Zona Leste
Marcos Ferreira
Igreja Betesda em Jardim das Fontes
Richard Castilho
Igreja Betesda em Osasco
Luis Dias
Igreja Betesda em Vila das Belezas
[i] HITCHENS, Christopher. Deus não é grande: como a religião envenena tudo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007. Pág 166
De verdade, quem precisa ser salvo?
De verdade, quem precisa ser salvo?
Ricardo Gondim
Entre as parábolas desconsertantes que Jesus contou, uma inquieta bastante. Para esvaziar a empáfia dos que se achavam melhor que os outros, eis a história de Lucas 18.9: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu em pé, orava silenciosamente: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’”. O arremate de Cristo veio como um cruzado de esquerda no queixo dos religiosos: “Eu lhes digo que este homem [o indigno publicano] e não o outro [o moralista religioso] foi para casa justificado diante de Deus”.
Ao contrário do senso comum, os religiosos são os primeiros a carecer de salvação. Deles brota o fermento que pode estragar o divino projeto de humanização. Da arrogância de se verem eleitos, pinga o veneno da hipocrisia. Jesus quer, sim, salvar televangelistas, pastores, apóstolos e bispos. Mesmo as estrelas de primeira grandeza da religião podem ser alcançados pelo amor de Deus. Ninguém está irremediavelmente perdido. Ora, ora, se Cristo salvou Nicodemos, Zaqueu e Saulo de Tarso, gente bem escolada no be-a-bá da presunção, por que não eles? Vale lembrar: o juízo divino começa sempre pelos bastidores, sacristias e gabinetes pastorais. E ele julga porque todos são amados de Deus, inclusive pilantras paramentados. Jesus quer resgatar cínicos que engomam seus colarinhos clericais com o polvilho branco do oportunismo eclesiástico; eles também merecem o céu. Mas, se eles podem herdar o Paraíso, o que seria necessário para a salvação de um religioso?
Salvação chega à casa do religioso quando ele se dispõe a calçar as sandálias do pobre. Os palavrórios idealizados, sem conexão com a realidade, se esvaziariam caso um sacerdote se visse obrigado a esperar por atendimento médico em algum banco enferrujado de ambulatório público. Será que o evangelista engravatado imagina o drama da mãe solteira, negra e subempregada que procura por creche para deixar o filho e ganhar um pão amassado? Desses que viajam de helicóptero, quem estaria disposto a viver, só por um mês, a sorte do pai que vê o filho crescer próximo ao ponto de venda de tóxico? Quantos já experimentaram dormir com fome? Será que entendem a lógica do capitalismo que empurra as pessoas para o beco sem saída da exclusão social? Simples: qualquer pessoa que trata com leviandade a sorte do pobre precisa de salvação.
No outro lado dessa moeda embotada, redenção também é necessária. O que dizer de quem ostenta em nome do Nazareno? O que dizer da luxúria? Anéis, relógios e automóveis caríssimos levantam a suspeita: vários deles não embarcaram no carreirismo religioso exatamente porque queriam fugir da marginalização econômica que um dia vivenciaram?
Cristo salva o pastor que for sensível aos que se angustiam nas seções de hemodiálise, às famílias que aguardam transplante de pulmão, às clínicas de fisioterapia onde mutilados e paraplégicos reaprendem a andar, às Unidades de Tratamento Intensivo dos hospitais infantis onde crianças cancerosas precisam ser amarradas para receber quimioterapia.
Os que vivem da grandiloquência do discurso dogmático podem ser resgatados caso aprendam a solidarizar-se com refugiados de guerra ou se souberem valorizar o esforço dos Médicos sem Fronteira que cuidam do refugo humano que o capitalismo demoníaco produz pelo mundo a fora. Enquanto sacerdotes tagaleram doutrinas, no máximo geram prosélitos, e condenam a si e seus seguidores ao inferno duplo da beatice sem relevância.
Jesus pode libertar o televangelista, mas é necessário que ele guarde o escrúpulo de não expoliar o motoboy que arrisca a vida para ganhar um salário minguado, a empregada doméstica que se submete aos caprichos da madame da classe média, o carvoeiro que vive na boca de fornalha para não faltar carvão no churrasco do restaurante de luxo, a enfermeira que enfrenta madrugadas frias. Sacerdote que insiste em propagandear superstições deve saber que seu caminho é o do cego que guia cego.
Deus não tem prazer na perdição do religioso. Ele insiste: “Eis que estou à porta e bato”. Enquanto perdurar o sistema que legitima a alienação e enquanto houver gente se valendo do sagrado para confundir delírio com esperança, será preciso escutar a admoestação do fim dessa parábola de Jesus: “Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.
Ricardo Gondim
Entre as parábolas desconsertantes que Jesus contou, uma inquieta bastante. Para esvaziar a empáfia dos que se achavam melhor que os outros, eis a história de Lucas 18.9: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu em pé, orava silenciosamente: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’”. O arremate de Cristo veio como um cruzado de esquerda no queixo dos religiosos: “Eu lhes digo que este homem [o indigno publicano] e não o outro [o moralista religioso] foi para casa justificado diante de Deus”.
Ao contrário do senso comum, os religiosos são os primeiros a carecer de salvação. Deles brota o fermento que pode estragar o divino projeto de humanização. Da arrogância de se verem eleitos, pinga o veneno da hipocrisia. Jesus quer, sim, salvar televangelistas, pastores, apóstolos e bispos. Mesmo as estrelas de primeira grandeza da religião podem ser alcançados pelo amor de Deus. Ninguém está irremediavelmente perdido. Ora, ora, se Cristo salvou Nicodemos, Zaqueu e Saulo de Tarso, gente bem escolada no be-a-bá da presunção, por que não eles? Vale lembrar: o juízo divino começa sempre pelos bastidores, sacristias e gabinetes pastorais. E ele julga porque todos são amados de Deus, inclusive pilantras paramentados. Jesus quer resgatar cínicos que engomam seus colarinhos clericais com o polvilho branco do oportunismo eclesiástico; eles também merecem o céu. Mas, se eles podem herdar o Paraíso, o que seria necessário para a salvação de um religioso?
Salvação chega à casa do religioso quando ele se dispõe a calçar as sandálias do pobre. Os palavrórios idealizados, sem conexão com a realidade, se esvaziariam caso um sacerdote se visse obrigado a esperar por atendimento médico em algum banco enferrujado de ambulatório público. Será que o evangelista engravatado imagina o drama da mãe solteira, negra e subempregada que procura por creche para deixar o filho e ganhar um pão amassado? Desses que viajam de helicóptero, quem estaria disposto a viver, só por um mês, a sorte do pai que vê o filho crescer próximo ao ponto de venda de tóxico? Quantos já experimentaram dormir com fome? Será que entendem a lógica do capitalismo que empurra as pessoas para o beco sem saída da exclusão social? Simples: qualquer pessoa que trata com leviandade a sorte do pobre precisa de salvação.
No outro lado dessa moeda embotada, redenção também é necessária. O que dizer de quem ostenta em nome do Nazareno? O que dizer da luxúria? Anéis, relógios e automóveis caríssimos levantam a suspeita: vários deles não embarcaram no carreirismo religioso exatamente porque queriam fugir da marginalização econômica que um dia vivenciaram?
Cristo salva o pastor que for sensível aos que se angustiam nas seções de hemodiálise, às famílias que aguardam transplante de pulmão, às clínicas de fisioterapia onde mutilados e paraplégicos reaprendem a andar, às Unidades de Tratamento Intensivo dos hospitais infantis onde crianças cancerosas precisam ser amarradas para receber quimioterapia.
Os que vivem da grandiloquência do discurso dogmático podem ser resgatados caso aprendam a solidarizar-se com refugiados de guerra ou se souberem valorizar o esforço dos Médicos sem Fronteira que cuidam do refugo humano que o capitalismo demoníaco produz pelo mundo a fora. Enquanto sacerdotes tagaleram doutrinas, no máximo geram prosélitos, e condenam a si e seus seguidores ao inferno duplo da beatice sem relevância.
Jesus pode libertar o televangelista, mas é necessário que ele guarde o escrúpulo de não expoliar o motoboy que arrisca a vida para ganhar um salário minguado, a empregada doméstica que se submete aos caprichos da madame da classe média, o carvoeiro que vive na boca de fornalha para não faltar carvão no churrasco do restaurante de luxo, a enfermeira que enfrenta madrugadas frias. Sacerdote que insiste em propagandear superstições deve saber que seu caminho é o do cego que guia cego.
Deus não tem prazer na perdição do religioso. Ele insiste: “Eis que estou à porta e bato”. Enquanto perdurar o sistema que legitima a alienação e enquanto houver gente se valendo do sagrado para confundir delírio com esperança, será preciso escutar a admoestação do fim dessa parábola de Jesus: “Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.
Assinar:
Postagens (Atom)